Inteligência Artificial nas compras públicas: mais agilidade sem perder o controle
A Inteligência Artificial nas compras públicas pode reduzir tarefas repetitivas, organizar informações e apoiar a elaboração de documentos. Além disso, a tecnologia ajuda o servidor a aproveitar melhor o tempo durante o planejamento das contratações.
Entretanto, a IA não deve substituir a análise técnica, administrativa ou jurídica. Pelo contrário, ela deve oferecer informações organizadas para que o usuário avalie cada resultado e tome decisões mais fundamentadas.
Essa é a proposta da IA Preços Gov, a Inteligência Artificial do Fonte de Preços. A solução apoia tanto a pesquisa de preços públicos quanto a elaboração de DFD, ETP, Mapa de Riscos e Termo de Referência.
Assim, a tecnologia acelera as atividades operacionais, enquanto o servidor mantém o controle sobre os preços e os conteúdos que utilizará no processo.
Qual é o papel da Inteligência Artificial nas compras públicas?
A fase preparatória de uma contratação reúne várias atividades. A equipe precisa compreender a necessidade, estudar possíveis soluções, identificar riscos, estimar o valor e definir as condições da contratação.
O artigo 18 da Lei nº 14.133/2021 caracteriza a fase preparatória pelo planejamento. Além disso, a norma determina que essa etapa considere os aspectos técnicos, mercadológicos e de gestão que podem interferir na contratação.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial pode apoiar o servidor em atividades que exigem pesquisa, organização e redação inicial.
Por exemplo, a tecnologia pode:
- localizar possíveis referências de preços;
- organizar resultados por item;
- identificar informações ausentes;
- estruturar conteúdos por seção;
- formular perguntas complementares;
- apresentar uma primeira versão para revisão.
Contudo, o agente público continua responsável pela análise da demanda. Da mesma forma, ele mantém a responsabilidade pela seleção dos preços e pela aprovação dos documentos.
Portanto, a IA atua como ferramenta de apoio, e não como autoridade responsável pela contratação.
Como a IA apoia a pesquisa de preços públicos?
Na pesquisa convencional, o servidor precisa buscar referências para cada item, abrir resultados e comparar diferentes informações.
Quando a cotação possui muitos itens, essa atividade pode consumir bastante tempo. Além disso, descrições complexas exigem várias tentativas de pesquisa até que o usuário localize referências potencialmente compatíveis.
A Cotação com IA do Fonte de Preços apoia justamente essa etapa inicial.
Primeiramente, o usuário acessa os detalhes da cotação. Em seguida, ele seleciona todos os itens ou apenas aqueles que deseja pesquisar.
O usuário também pode definir preferências para ajudar a IA a priorizar resultados, como:
- preços da mesma Unidade da Federação;
- preços com unidade de medida compatível.
Depois disso, a IA consulta as bases disponíveis e organiza as possíveis referências por item.
Ainda assim, essas preferências apenas direcionam a busca. Portanto, o usuário precisa conferir individualmente os resultados apresentados.
O servidor pode continuar trabalhando durante a pesquisa
A Cotação com IA processa a solicitação em segundo plano.
Por isso, o servidor não precisa permanecer na mesma tela durante a busca. Enquanto a IA consulta as bases, ele pode acessar outras cotações, realizar pesquisas manuais ou continuar utilizando o sistema.
Esse fluxo aparece nas telas das páginas 5 e 6 do documento de Produto. Nelas, o usuário seleciona os itens, define as preferências, acompanha o processamento e consulta o resumo dos resultados.
Dessa forma, a ferramenta reduz o tempo de espera e mantém o fluxo de trabalho ativo.
Quais resultados a Cotação com IA apresenta?
Quando a pesquisa termina, o sistema organiza as referências por item.
No resumo, o usuário pode consultar informações como:
- quantidade de itens atendidos;
- número de preços encontrados;
- valor representativo;
- total estimado;
- indicação de itens com poucas referências.
Além disso, o servidor pode expandir cada resultado para analisar os detalhes disponíveis.
Conforme os dados de origem, a ferramenta pode apresentar descrição, órgão responsável, Unidade da Federação, quantidade, unidade de medida, data de homologação, modalidade, proposta inicial, proposta final e informações do fornecedor.
Consequentemente, o usuário consegue avaliar os resultados com mais clareza.
Porém, a presença de um preço na tela não comprova sua compatibilidade com a contratação. O servidor precisa comparar a referência com a necessidade real do órgão.
A IA escolhe quais preços entrarão na cotação?
Não. A ferramenta não aplica nenhum preço automaticamente.
Embora os resultados possam aparecer marcados para facilitar a revisão, o usuário pode manter ou retirar cada referência.
Depois da análise, ele confirma os preços adequados por meio da opção “Aplicar à cotação”.
Portanto, a IA:
- não determina o preço correto;
- não valida definitivamente a compatibilidade;
- não seleciona referências sem supervisão;
- não aplica resultados sem confirmação.
O usuário permanece responsável pela decisão final.
Esse cuidado também se alinha à IN SEGES/ME nº 65/2021, que disciplina a pesquisa de preços para aquisições de bens e contratações de serviços em geral no âmbito da Administração Pública federal direta, autárquica e fundacional. A norma exige a formalização da pesquisa e a análise dos preços utilizados na formação do valor estimado.
Como a IA apoia os documentos da fase interna?
Além da pesquisa de preços, a IA Preços Gov apoia a elaboração dos documentos utilizados no planejamento da contratação.
Atualmente, a funcionalidade contempla:
Documento de Formalização da Demanda
No DFD, a IA ajuda a organizar as informações iniciais da necessidade. Assim, o usuário pode estruturar a justificativa, os dados gerais e a identificação da área responsável.
Estudo Técnico Preliminar
No ETP, a ferramenta apoia a organização das informações relacionadas à necessidade, aos requisitos, às alternativas e à viabilidade da solução.
Mapa de Riscos
No Mapa de Riscos, a IA ajuda a estruturar os eventos que podem afetar a contratação, suas possíveis consequências e as medidas de tratamento.
Termo de Referência
No Termo de Referência, a tecnologia apoia a redação das seções relacionadas ao objeto, aos requisitos, à execução, à gestão e às demais condições da contratação.
Embora a interação siga uma lógica semelhante, a IA adapta as perguntas e os conteúdos à finalidade de cada documento. Dessa maneira, ela não utiliza a mesma redação genérica em todos os modelos.
Como funciona a geração dos documentos com IA?
Primeiramente, o usuário cria a estrutura do documento no Fonte de Preços. Para isso, ele informa um nome e escolhe o modelo correspondente.
Depois, o servidor acessa a opção “Gerar com IA” e seleciona como deseja iniciar o trabalho.
Ele pode:
- gerar todas as seções ativas;
- escolher apenas algumas seções;
- pular partes que já concluiu.
Em seguida, o usuário informa o contexto da contratação.
Esse contexto deve explicar a situação atual, o problema identificado, o objeto pretendido, o resultado esperado e os demais dados conhecidos.
Quanto mais claro e completo for o contexto, melhores serão as condições para que a IA produza uma primeira versão alinhada à demanda.
Por outro lado, informações insuficientes podem resultar em mais perguntas, campos incompletos ou textos que exigem ajustes adicionais.
A IA identifica informações ausentes
Durante a geração, a ferramenta analisa cada seção e verifica se precisa de informações complementares.
Por exemplo, a IA pode perguntar:
- qual é o número do processo;
- qual área requisitou a contratação;
- quem responde pela demanda;
- qual é o prazo previsto;
- quais requisitos o objeto deve atender.
O usuário responde ao que souber. Além disso, ele pode optar por não responder a uma pergunta.
Contudo, essa escolha pode deixar campos vazios ou gerar conteúdos mais genéricos. Por isso, o servidor precisa revisar a seção com atenção.
As telas da página 9 do documento de contexto mostram esse fluxo. Primeiro, a IA apresenta uma pergunta complementar. Logo depois, o sistema exibe a prévia do conteúdo e as opções de aprovação, regeneração ou edição.
O usuário sempre revisa antes de salvar
Depois de processar as informações, a IA apresenta uma prévia da seção.
Nesse momento, o usuário pode conferir:
- a clareza do texto;
- a coerência das informações;
- a aderência à necessidade;
- o preenchimento dos campos;
- o nível de detalhamento;
- a consistência com outras seções.
Além disso, a ferramenta pode apresentar sugestões de melhoria. Entretanto, nenhuma sugestão entra automaticamente no documento.
O usuário possui três opções principais:
Aprovar e continuar
Quando o texto atende à necessidade, o servidor aprova a seção e avança para a próxima etapa.
Editar manualmente
Quando o conteúdo exige apenas pequenas correções, o usuário pode alterar diretamente nomes, datas, termos e informações.
Regenerar
Quando a seção precisa de mudanças maiores, o usuário informa o que deseja alterar. Em seguida, a IA utiliza essa orientação para produzir uma nova versão.
Por exemplo, o servidor pode solicitar mais detalhes, retirar um trecho, corrigir um dado ou reorganizar a redação.
Consequentemente, a regeneração não repete o conteúdo sem direção. O usuário orienta a mudança que deseja.
A Inteligência Artificial substitui o trabalho do servidor?
Não. A IA pode acelerar buscas e estruturar conteúdos, mas não conhece sozinha todas as particularidades da contratação.
Somente a equipe responsável compreende completamente:
- a necessidade administrativa;
- a realidade do órgão;
- as condições de execução;
- as limitações existentes;
- os requisitos técnicos;
- os riscos envolvidos;
- os resultados esperados.
Por isso, a validação humana continua indispensável.
Na pesquisa de preços, o servidor precisa verificar descrição, unidade de medida, quantidade, data, localização e condições comerciais.
Da mesma forma, na geração dos documentos, ele deve confirmar se o texto utiliza informações verdadeiras, atuais e coerentes.
Portanto, a qualidade da decisão não depende apenas da velocidade da ferramenta. Ela também depende da qualidade das informações fornecidas e da revisão realizada pelo usuário.
Quais limites precisam aparecer na comunicação sobre IA?
Uma comunicação responsável não deve apresentar a Inteligência Artificial como uma solução infalível.
A IA Preços Gov não deve receber promessas de:
- precisão absoluta;
- validação jurídica;
- seleção automática do melhor preço;
- elaboração perfeita de documentos;
- eliminação da revisão humana;
- substituição da equipe de planejamento.
Além disso, a Cotação com IA está em fase beta. Portanto, os resultados, os critérios de priorização e alguns elementos da interface podem evoluir.
O próprio documento de Produto orienta a comunicação a reforçar agilidade, apoio à pesquisa e manutenção do controle pelo usuário.
Da mesma forma, o material sobre a geração documental recomenda evitar promessas de preenchimento automático perfeito, validação jurídica ou eliminação da participação humana.
Como usar Inteligência Artificial nas compras públicas com responsabilidade?
O uso responsável começa antes da geração dos resultados.
Forneça descrições claras
Primeiramente, descreva corretamente o item ou o contexto da contratação. Afinal, informações genéricas podem prejudicar a qualidade da pesquisa e da primeira versão.
Confira os dados apresentados
Em seguida, analise os detalhes de cada preço e de cada seção. Não aceite uma informação apenas porque o texto parece bem estruturado.
Compare os resultados com a necessidade
Além disso, verifique se a referência ou o conteúdo representa a realidade do órgão.
Corrija informações incorretas
Quando encontrar um dado inadequado, edite o conteúdo ou retire a referência da seleção.
Justifique as decisões
A ferramenta ajuda a organizar informações. Contudo, o processo administrativo ainda precisa registrar os critérios e as decisões adotadas.
Faça uma revisão final
Por fim, confira o conjunto da cotação ou do documento. Essa revisão ajuda a identificar contradições, lacunas e informações repetidas.
Mais velocidade para pesquisar
Na Cotação com IA, o usuário reduz o esforço das buscas iniciais.
A ferramenta consulta as bases e organiza possíveis referências por item. Enquanto isso, o servidor pode continuar utilizando o sistema.
Assim, a equipe ganha agilidade sem abrir mão da análise.
Mais clareza para analisar
A organização dos resultados facilita a comparação entre preços.
Da mesma forma, a estruturação por seções ajuda o usuário a revisar DFD, ETP, Mapa de Riscos e Termo de Referência.
Consequentemente, o servidor visualiza as informações de maneira mais organizada.
Mais tempo para decidir
Quando a tecnologia assume parte do trabalho repetitivo, a equipe pode concentrar mais atenção nas decisões que exigem conhecimento técnico.
Por exemplo, o servidor pode dedicar mais tempo à análise dos requisitos, dos riscos, da estratégia de contratação e da compatibilidade dos preços.
Portanto, a IA não reduz a importância do agente público. Pelo contrário, ela permite que ele direcione sua experiência para as atividades mais relevantes.
O servidor permanece no centro da decisão
Na Cotação com IA, o usuário escolhe quais preços aplicará.
Na geração documental, o usuário decide quais conteúdos aprovará.
Assim, a IA pesquisa, interpreta, organiza e redige. Por outro lado, o servidor analisa, ajusta, justifica e decide.
Essa divisão preserva o controle humano durante todo o processo.
Além disso, ela mostra como a Inteligência Artificial nas compras públicas pode aumentar a produtividade sem retirar a responsabilidade dos agentes envolvidos.
IA Preços Gov: tecnologia de apoio ao planejamento
A IA Preços Gov reúne recursos para apoiar duas atividades importantes da fase preparatória: a pesquisa de preços e a elaboração dos documentos.
Com isso, a instituição pode agilizar tarefas, organizar informações e reduzir o esforço necessário para iniciar cada trabalho.
Contudo, o usuário continua responsável por conferir os resultados e aprovar apenas os conteúdos adequados.
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